Um novo capítulo na história de Cruzeiro do Sul começa a ganhar forma concreta no coração do Vale do Taquari. Mais do que reerguer estruturas após as enchentes de 2024, o município se consolida como referência estadual em adaptação climática e reconstrução urbana com planejamento de longo prazo.
O marco dessa virada ocorreu com a validação do projeto executivo e do orçamento do Parque Ecológico Memorial Passo de Estrela, apresentado oficialmente ao governador Eduardo Leite no Palácio Piratini.
Parque alagável une memória e prevenção
A área de 250 mil metros quadrados, onde antes vivia uma comunidade severamente atingida pelas enchentes, não receberá novas moradias. Classificada como zona de alta suscetibilidade à inundação, será transformada em um amplo parque alagável — um modelo inovador no Rio Grande do Sul.
Elaborado pela empresa Embyá Paisagismo, Urbanismo e Arquitetura, com base em Soluções Baseadas na Natureza (SbN), o projeto atua em três eixos centrais: memória, resiliência ambiental e valorização da cultura regional.
Na prática, o parque funcionará como uma grande bacia de amortecimento natural para futuras cheias. O planejamento técnico prevê:
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120 mil metros cúbicos de corte para criação de banhados;
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Mais de 42 mil metros quadrados de áreas reflorestadas;
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Implantação de biovaletas e jardins de chuva;
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Infraestrutura de convivência com ciclovias, mirante, quadras esportivas;
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Memorial no entorno da imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Com os projetos validados e a limpeza da área já em andamento pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), a obra avança como símbolo da nova fase do município.
Para o prefeito César Leandro Marmitt, o Dingola, o parque representa mais que uma intervenção urbana.
“Este parque é a prova da nossa capacidade de superação. Não estamos apenas reconstruindo uma área física, mas devolvendo dignidade e esperança para a nossa gente. Cada casa retirada das zonas de risco e cada etapa vencida mostram que estamos construindo uma Cruzeiro do Sul mais forte, onde as famílias terão segurança para reconstruir suas vidas. O Memorial será um símbolo de respeito à nossa história e um compromisso com o amanhã”, destacou.
Saída das áreas de risco e novos loteamentos
A criação do parque caminha junto com a maior operação de realocação habitacional da história do Rio Grande do Sul. A administração municipal avança na demolição de estruturas em zonas de arraste, abrangendo bairros como Glucostark, Passo de Estrela, Vila Zwirtes e Bom Fim.
Das 661 famílias convocadas pelo programa Compra Assistida, mais de 430 já formalizaram a permuta com o município, liberando as áreas de risco.
Essas famílias estão sendo direcionadas para locais seguros, como:
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Loteamento Telesil, no bairro Cascata, com 500 unidades já em obras;
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Novo Passo de Estrela, projeto que prevê 150 casas e 209 lotes urbanizados, totalizando 359 beneficiários.
O Novo Passo de Estrela será financiado pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), com investimento estimado em R$ 40 milhões. O projeto prevê um bairro planejado construído do zero, com infraestrutura sustentável, área comercial e oferta de serviços públicos nas imediações.
Prevenção estrutural e logística estratégica
A adequação da cidade para enfrentar eventos extremos também envolve obras estruturais em outros bairros atingidos pelas cheias. Contemplado no programa federal PAC 2, o município garantiu mais de R$ 12,2 milhões para ações definitivas de contenção de encostas e macro-drenagem urbana, com foco na fenda do Centro e nos bairros Bom Fim, Sítio e Boa Esperança.
Paralelamente, as regras para o crescimento seguro da cidade estão sendo atualizadas por meio do Novo Plano Diretor, elaborado em conjunto com a Univates.
Outra frente estratégica é a implantação do Condomínio Aeronáutico dos Imigrantes, com investimento da Construtora Diamond. Além de impulsionar o desenvolvimento econômico e logístico, o empreendimento dotará o município de uma pista pavimentada de 1.200 metros.
O aeródromo será uma base estratégica para a Defesa Civil e forças de segurança, garantindo que Cruzeiro do Sul e todo o Vale do Taquari contem com uma rota aérea segura em eventuais situações de calamidade climática.
Mais do que reconstrução, o município aposta em planejamento, prevenção e memória. Um modelo que pode servir de referência para outras cidades gaúchas que enfrentam os desafios de um cenário climático cada vez mais extremo.
Fonte/Créditos: Prefeitura de Cruzeiro do Sul
Créditos (Imagem de capa): Prefeitura de Cruzeiro do Sul
Rádio Alto Taquari
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